As lesões fazem parte da realidade esportiva e, muitas vezes, representam um dos maiores desafios da carreira de um atleta. Se, por um lado, a fisioterapia e a medicina garantem a recuperação funcional do corpo, por outro, é a mente que sustenta o engajamento, a disciplina e a confiança necessárias para completar esse processo.
Muitos atletas, após uma lesão, apresentam medo de retornar às atividades. A insegurança em realizar movimentos específicos, o receio de sentir dor novamente ou até a ansiedade de não conseguir competir em alto nível podem comprometer o desempenho e aumentar o risco de recaídas. É nesse ponto que a psicologia esportiva se torna essencial.
O papel da psicologia esportiva na reabilitação
O psicólogo esportivo trabalha em conjunto com a equipe multidisciplinar (médicos, fisioterapeutas, treinadores) para cuidar da dimensão emocional do processo de recuperação. Entre as contribuições mais comuns estão:
Controle da ansiedade: técnicas de respiração, relaxamento e visualização auxiliam o atleta a enfrentar situações de retorno sem excesso de tensão.
Gestão da frustração: quando a recuperação é lenta, o psicólogo ajuda a criar metas realistas de curto prazo, mantendo a motivação.
Fortalecimento da autoconfiança: por meio de treinos mentais e reformulação de pensamentos, o atleta aprende a confiar novamente em sua performance.
Reforço da identidade: a psicologia também contribui para que o atleta não se sinta “reduzido” à lesão, valorizando outras dimensões da sua vida e evitando quadros de depressão.
Exemplos práticos
Jogador de futebol com lesão no joelho: após uma cirurgia de LCA, o fisioterapeuta propõe exercícios de mudança de direção. O psicólogo entra em cena ajudando o atleta a usar a visualização positiva, imaginando-se completando o movimento com sucesso, reduzindo o medo da dor.
Ginasta em fase pré-competitiva: diante de uma lesão que impede treinos plenos, o acompanhamento psicológico possibilita estabelecer metas semanais menores (como avanços em exercícios básicos), mantendo o senso de progresso.
Nadador em reabilitação de ombro: além do trabalho físico, técnicas de relaxamento são aplicadas para controlar a ansiedade no momento de voltar a dar braçadas mais fortes.
Casos inspiradores
Atletas de alto rendimento também já relataram a importância do acompanhamento psicológico durante reabilitações. Ronaldo Fenômeno, após a grave lesão no joelho, destacou em entrevistas que o suporte psicológico foi fundamental para manter sua motivação durante meses afastado dos gramados. Já Michael Phelps, além das questões físicas, revelou como o cuidado com a saúde mental foi crucial para seu desempenho e para superar períodos de afastamento.
Benefícios do acompanhamento psicológico
Retorno mais rápido e confiante às atividades.
Redução de ansiedade, estresse e sintomas depressivos.
Maior adesão ao tratamento fisioterapêutico.
Menor risco de recaídas e novas lesões.
Reabilitação mais humanizada, respeitando corpo e mente.
Assim, a psicologia não deve ser vista como um recurso secundário, mas como parte essencial no cuidado integral ao atleta. Ao lado da fisioterapia, da medicina e da preparação física, ela potencializa resultados, fortalece a confiança e transforma o processo de reabilitação em uma oportunidade de crescimento.